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Considerações sobre o destralhe

Depois do destralhe das minhas roupas, tomei consciência que tenho muitas peças de roupa muito antigas. E sim, gostava de renovar um pouco o meu roupeiro. No entanto, isso traz-me a outra reflexão que de alguma forma me deixa dividida.

Vivemos numa sociedade que investe no descartável, em que a moda serve essencialmente o consumo. Consumo que serve quem dele vive e que no fundo somos todos nós, pois o consumo é necessário para que a economia se desenvolva e a moeda de troca que usamos tenha mais valor. Daí que não é mau, embora precise ser mais consciente.

O minimalismo vai numa tendência oposta à do consumismo excessivo ou desnecessário e procura aproximar-nos mais de nós mesmos. Pelo menos, essa é a minha perspectiva e aquilo por que a ideia me serve.

Este processo tem sido útil para me aproximar mais de mim, redescobrindo-me no meio das distrações e tendências. Definindo melhor aquilo que me faz mais sentido nesta etapa da minha vida. Descobrindo quais os meus gostos e tendências, qual a minha moda pessoal.

Faz-me mais sentido ter uma peça de roupa que me acompanhe enquanto eu gostar dela do que ter uma peça mais volátil que precise de ser substituída rapidamente e me leve a consumir mais. Se calhar não me dou tão mal com a rotina como pensava!

Por outro lado, os modismos deixam-nos mais iguais uns aos outros, na expressão. E embora goste de me sentir integrada, sempre gostei de seguir um pouco mais pela margem.

Há uma quantidade de roupas no meu armário que podiam ser substituídas porque se nota nelas o tempo de uso, como as tshirts verde, preta e bege iguais. E pode até nem levar muito tempo para que aconteça, já que o notei e um dos meus objetivos era dar uma renovada. Mas chegar onde pretendo nesta matéria não é fácil, devido a estas ideias conflituantes.

Se me deixa feliz porquê descartar?
Se gosto de “ser” diferente porquê fazer igual?
Se quero reduzir, porquê substituir ou comprar mais?
Se não quero investir na descartabilidade associada ao consumo rápido porquê “renovar” aquilo que está em boas condições? Sim, outros podem usar, embora não saiba até que ponto isso realmente acontece.

Compra-se mais, produz-se mais. Não temos por aqui o hábito das charity shops ou thrift shops, mas gostaria porque me ajudaria com estas dúvidas.

E você, quais as suas dúvidas e certezas no que toca ao seu armário?

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