Menu Fechar

5 Dicas para a saúde feminina

Esta semana temos um dia comemorativo em cada dia da semana, à excepção de Sábado. E hoje celebra-se o Dia Internacional da Saúde Feminina. Porque sou mulher e porque a saúde no geral é um tema entre as minhas preferências, dediquei-lhe as dicas em video desta semana. No entanto, apesar destas dicas serem para a saúde da mulher, os homens também as poderão considerar, de alguma forma, proveitosas. Por isso, se lhe fizer sentido, partilhe.

Alguns destes tópicos acabam por não ser conversados em voz alta e é isso que quero fazer neste momento. Conversar consigo sobre os tópicos que abordei em video e algumas considerações extra, temperados com alguma emoção. Aviso ainda que este post saiu bastante apalavrado e cheio de opinião, o magano.

Métodos contraceptivos

Há cerca de uns 15 anos que deixei de tomar a pílula. Penso que foi mais ou menos quando comecei a tomar mais atenção àquilo que ingeria e quando naturalmente me fui “tornando” vegetariana. E tendo lido diversos artigos que indicavam o prejuízo pela toma da pílula, deixei de o fazer. Em primeiro lugar porque tomava a Diane 35 – sim, a famigerada.

Esta era a indicada para controlar o acne, mas também aumentava o crescimento dos pêlos (nah, eu já usava o cabelo comprido antes). Essa foi a minha primeira preocupação – confesso, mais de estética do que de saúde, mas pêlo já eu tinha de sobra. Depois continuei as leituras e o facto da pílula ser considerada um carcinógeno motivou-me a continuar sem a tomar – nem daquela, nem de outra marca.

Aconselho a leitura daquilo que o Dr. Mercola tem a dizer sobre a pílula, assim como o artigo da Colleen Wachob sobre 14 factos que ela deseja que todas as mulheres soubessem sobre a pílula. Concordo com ela quando refere a facilidade com que procuramos resolver problemas no que diz respeito ao corpo, em vez de o ouvirmos, especialmente quando somos mais novos. Eu diria que temos uma grande facilidade (roçando por vezes um sentimento de urgência) em procurar um remédio rápido para aliviar o desconforto. Temos dificuldade em lidar com o desconforto, seja ele físico, emocional, nosso ou do outro. Existe uma expressão popular que reza: “com o sofrimento do outro posso eu bem”, mas não me parece que seja bem assim. Depende sempre do nível em que nos conseguimos identificar com esse sofrimento.

Saúde feminina. Certo.

representação da ioni em tecido
representação da ioni em tecido

Absorventes higiénicos

Há mais de 10 anos atrás, encontrei alguma informação interessante sobre o controlo do fluxo menstrual e fiquei com vontade de aprender mais. Encomendei um video que ensinava a fazê-lo, mas nunca chegou (felizmente, o pagamento também não saiu). Era o video Eu Mulher!, da Evelyn Torrence. Depois de trocar emails com ela, soube que o video estava esgotado, era algo já um pouco antigo, e não havia previsão para reedição. Aliás, quase todo o material da Evelyn saiu “do ar” devido à grande pressão sentida pelo casal (Evelyn e Steve) por se declararem respiratorianos. Mas isso são outros quinhentos.

Aproveito para fazer aqui uma correção sobre esta informação, pois no video digo que a Evelyn aprendeu esta técnica com índias da Amazónia, mas lembrei que essa é a história de um outro alguém. Pormenores técnicos.

Não me fiquei por ali e procurei informação. No fundo, este controlo parecia consistir no treino de determinados músculos, para que, tal como conseguimos manter a urina na bexiga, conseguíssemos libertar o sangue onde e quando decidíssemos (free bleeding). Sem muita informação, fiz uma série de experiências (não me lembro exatamente do quê) e recordo que obtive alguns resultados. Senti-me algo satisfaeita, mas queria o pacote completo.

Mas a vida foi continuando e distraí-me também por completo do assunto. A única coisa que ficou foi a consciência da quantidade de lixo que uma mulher faz só com os absorventes higiénicos ao longo de grande parte da sua vida.

Entretanto, há menos tempo li algo sobre o branqueamento dos tampões (a solução porque sempre optei) e pensos higiénicos com lixívias – de elevado nível de toxicidade. Ora, pensando na minha saúde e no meu objetivo de reduzir a minha pegada ecológica, decidi-me a experimentar uma das alternativas, da qual já tinha ouvido falar muito bem há alguns anos, mas nunca tinha tido coragem de experimentar: o copo menstrual. E falo em coragem não porque me amedrontasse – vejamos bem, o tampão sempre foi a minha opção desde a adolescência, mas porque o tampão era tão prático, “limpo” e acessível.

Experimentei então o Mooncup e, apesar do período de adaptação à melhor forma de colocar e tirar, ao tira e põe, foi a melhor decisão que podia ter tomado nesta área. É mais limpo do que o tampão, pelo menos na minha lixeira e para o meio ambiente, e também é prático, embora de uma outra forma. Pelo menos, nunca mais tive de me preocupar se tenho de comprar tampões ou se tenho algum comigo. Para além de que sai mais barato.

E por falar em mais barato, em 2011 saiu na Proteste um artigo sobre o Mooncup. Para a instituição que é, esperava uma abordagem um pouco diferente. Até porque parece mais um desincentivo ao uso pela perspetiva de quem nunca usou ou que experimentou apenas. Digo isto porque na sua versão online se pode ler:

  1. “requer muita adaptação”
  2. “Há risco de facilitar infeções vaginais e urinárias”
  3. “O silicone é maleável, mas a borda é bastante rígida, o que limita as possibilidades de dobrar até um tamanho comparável ao do diâmetro de um tampão normal”
  4. “Encontrar a posição certa é essencial para evitar fugas. Pode precisar de um penso diário”
  5. “muitas mulheres não conseguirão adaptar-se”
  6. “Remover pode ser mais complexo do que inserir”
  7. “Se o dispositivo estiver demasiado fundo, pode exigir alguma ginástica pélvica, o que será difícil para algumas utilizadoras”
  8. “Há ainda que garantir que o Mooncup é retirado sem fugas de fluxo, sobretudo se utilizar uma casa de banho pública”

Pontos aos quais vou ter de responder.

  1. Tudo o que seja novo requer adaptação, mas de todas as mulheres que conheci até hoje e que usam (mais de 15), nenhuma sentiu que fosse necessária “muita”.
  2. Existe tanto risco como ao usar tampões, mas se tivermos os cuidados necessários de limpeza do copo, diria que é bem menor. De salientar ainda que muitas vezes atribuímos os sintomas a causas “erradas”. Como exemplo, sempre fui muito vulnerável a ter infeções vaginais, até ao momento em que deixei de consumir leite. Há mais de 10 anos que não tenho uma.
  3. A minha primeira resposta não seria esta, mas contendo-me um pouco, diria apenas que o diâmetro do tampão não é o limite do conforto na abertura vaginal.
  4. Nunca me aconteceram essas fugas e devido ao vácuo criado fica difícil que elas aconteçam desde que o copo não esteja cheio. Seguindo as instruções do fabricante, não existem posições incorretas.
  5. Esta sugestão a la previsão metereológica arrepia-me os pêlos da nuca, especialmente porque começa com “muitas”.
  6. É tudo uma questão de prática, tanto para colocar, como para retirar.
  7. A vagina não é um poço sem fundo, nem o copo assim tão pequeno. Mas recordo-me que antes de experimentar o primeiro tampão, também tinha receio dele “se perder” lá para dentro se o empurrasse demais ou se o cordão se soltasse por algum motivo. (ria-se lá à vontade que eu acompanho)
  8. Este é o único ponto em que a minha primeira resposta não é tão… cortante. Diria apenas que se estivermos na tal “posição sanita”, qualquer fuga é apanhada pela retrete (para não me repetir). Mas precisa de se certificar primeiro que tem como limpar os dedos e o copo antes de o voltar a colocar.

Resumindo, o artigo parece ter sido escrito por alguém que nunca usou o mooncup.

Compreendo que se encontra na categoria “Testes: primeira impressão” e que hoje em dia, com cada vez mais mulheres a usarem estas “alternativas”, seria provavelmente escrito de outra forma. A questão é que ele continua online e será o suficiente para afugentar potencial clientela.

Até porque, depois de tudo isto, o artigo acaba com a conclusão que os pensos higiénicos saem mais baratos para os cálculos que foram feitos (à volta de uns 8€ por ano). Claro que menciona que o dispositivo “Só compensa se puder usar por mais de 18 meses”. Senhores ProTesteiros: pode.

Também é verdade que menciona ainda que nos cálculos para o uso do mooncup foram incluídos os pensos higiénicos, contando com previsão-certa-de-chuva. Mas este valor também foi incluído no cálculo para o uso dos tampões. Ora, corrija-me se estiver errada, se o valor dos pensos higiénicos para as fugas foi incluído no cálculo do uso dos tampões, assim como do mooncup, é natural que o cálculo do uso dos pensos (que não conta com tampões ou mooncup) resulte num valor mais baixo! (e não consegui conter a exclamação)

E eu que usei tampões de diversos tamanhos durante pelo menos 20 anos  e nunca “sofri” de fugas desde que os tivesse sempre à mão. Mas isso também deve acontecer com os pensos, não?

Queira desculpar a dose de ironia, mas não consegui conter. É que já não bastam as preocupações e dúvidas que uma pessoa possa ter antes de se decidir por algo novo, que há sempre sugestões negativas para dar e para vender. E o que me arrepia os pêlos da nuca é de onde chegam estas sugestões. Tantas vezes chegam precisamente daqueles que têm poder, sejam pessoas, instituições ou simplesmente pelo papel que elas possam ter em determinado momento.

Pois eu sempre associei a Proteste à defesa dos direitos dos consumidores e à proteção do ambiente. Se calhar o engano é meu. Vi tantas referências a reciclagem e ecopontos, que posso ter tirado a conclusão errada. Como costumo dizer: é tudo uma questão de conceitos. Ora, nesta matéria, pesa mais a poupança de 8€ ao final de um ano ou a redução considerável de lixo que esta mudança representa? É que não vi essa informação escrita em lado algum. Mas, tudo bem. É problema meu.

E, claro que aquela sugestão de submergir o copo menstrual “numa solução de hipoclorito de sódio (lixívia) durante 7 a 10 minutos” também me arrepiou, não sei se em igual medida ou mais ainda.

Pronto. Agora que demonstrei a minha indignação, posso voltar às dicas.

Há pouco mais de um ano aprendi com uma colega e amiga que o tecido das paredes da nossa vagina é o mais poroso de todo o corpo, absorvendo muito mais do que a pele, inclusivamente. Agora junte 2 + 2! (oops) Pelo menos, senti-me melhor pelo fato de já não usar nenhum destes métodos há alguns anos.

Entretanto, existem outras alternativas, como a esponja menstrual ou os pensos de algodão (de usar e lavar). Se o ambiente não é a sua preocupação e porque estas dicas são para a saúde, existem tanto tampões como pensos higiénicos em algodão, que não passam por processos de branqueamento. São mais caros do que aqueles que encontra nos supermercados, mas também mais saudáveis e – convenhamos, a manutenção da doença é uma renda considerável.

Ciclo feminino

A primeira informação que a Evelyn anunciava referindo-se ao seu video Eu Mulher!, era sobre o registo do ciclo da mulher. Ela referia que esta informação era essencial para o auto-conhecimento e para poder então passar ao controlo do fluxo menstrual. Como tudo o que implica um nova rotina repetida por mais do que alguns dias seguidos costuma ter à partida um efeito de absorção-mas-como-que-ao-contrário sobre mim, nunca cheguei a dar esse passo.

Nunca até há pouco mais de um ano. Foi quando fiz um workshop de Saúde Menstrual, com a Patrícia Lemos, a tal amiga com quem aprendi aquilo sobre as paredes da vagina. Mas aprendi isso e muito mais. Para além de que a forma como toda a informação foi veiculada – de uma forma simples, lógica e prática – foi essencial para que a integrasse na minha vivência diária.

Aprendi imenso, desde coisas simples como o fato da vagina estar suspensa e, por isso, se mover (não queira saber a confusão que me fazia o fato de sentir o mioma que tenho mais “visível”, ora uns dias mais acima, ora uns dias mais abaixo), até ideias mais complexas como a dominância de estrogénio, passando pelas comidas mais adequadas a determinado momento do ciclo, ou por dicas práticas como não-comprar-roupa-naquela-altura-impulsiva-do-mês-em-que-andamos-nas-nuvens para não ficar apenas a encher o armário.

Mesmo que não conhecesse a Patrícia de lado algum (que ainda bem que conheço!), aconselharia qualquer mulher, mais velha ou mais nova, menstruada ou não, a fazer este workshop de saúde menstrual.

O registo do meu ciclo mensal foi apenas um dos passos importantes neste processo, mas essencial para me conhecer melhor, estar mais atenta ao meu corpo, identificar causas e reconhecer sinais, para uma vivência mais plena e tranquila da minha femininidade.

wks_saudemenstrual
foto gentilmente cedida pela Patrícia Lemos

A biologia das crenças

Sem querer usurpar os direitos de ninguém pelo termo, é disto mesmo que trata este tópico.

Se é importante aprender todas aquelas informações que a Patrícia veicula nos seus workshops até para ajudar a desconstruir ideias erradas que foram sendo construídas ao longo do tempo, também é verdade que essas mesmas ideias estão tão enraizadas que este é um processo que leva o seu tempo.

Em dicas anteriores, sugeri a leitura do livro A Biologia da Crença, do Dr. Bruce Lipton, assim como do livro Fisiologia Transdimensional de Décio Iandoli Jr. (ambos são médicos, mas uso o termo Dr. apenas num porque é como estão identificados nos livros) Ambos escrevem sobre a forma como os nossos pensamentos influenciam o nosso corpo e a sua biologia.

A Dra. Christiane Northrup, ginecologista e obstreta, tem dedicado o seu trabalho, a meu ver, à descontrução de muitas das crenças erróneas que dizem respeito à saúde feminina. Com diversos livros publicados, o último é sobre a idade biológica e como esta não precisa de acompanhar a idade cronológica da forma que se pensa que deve. Curiosa? Este último livro tem por título Godesses Never Age e apesar de ainda não o ter lido, já o recomendo (antes de mais a mim mesma).

Mas a dica que deixo não é propriamente do livro e sim do trabalho desta médica que gosto muito de ouvir. Sugiro-lhe que faça uma pequena pesquisa no YouTube e veja pelo menos uma das suas apresentações ou entrevistas. Todas as que vi até hoje são sumarentas. 😉 (lá vai um)

Deixo-lhe abaixo a proposta de visionamento de uma das entrevistas que ela deu sobre este último livro para ver do que falo.

De salientar não só as dicas sobre as crenças, mas também sobre o bem-estar, a importância do prazer. Se ainda não viu, veja o video que vale a pena.

Cuidar de si

E por falar em prazer, a última dica para a sua saúde é que cuide de si. São dicas para um maior bem-estar, que partilhei em video há uns meses atrás, no canal de psicoterapia.

1. Faça pausas para uma maior produtividade

Uma simples paragem para respirar profunda e conscientemente por um minuto apenas, mas amiúde ao longo do dia e todos os dias, poderá ter um grande impacto no seu bem-estar.

2. Saia da sua zona de conforto

Faça algo que não costuma fazer, algo de inesperado, ou algo que deixou lá para trás no passado, quer por receio dos resultados ou daquilo que os outros pudessem pensar.

3. Assuma as suas decisões de corpo e alma

Maior ou mais pequena, torne-a uma escolha sua por completo. Se se decide a fazê-lo, faça sem pensar nos contras. Essa é a etapa anterior. Depois de decidir, está decidido. Faça-o por completo.

4. Aproveite mais o Aqui e Agora

desfrutando realmente do que está a fazer no momento. Saia um pouco do passado e do futuro. O presente está pronto a ser desembrulhado, desfrutado e aproveitado. Por vezes preferíamos presentes melhores, maiores ou mais de acordo com as nossas necessidades ou os nossos objetivos, mas não deixa de ser um presente. Tendo em conta as suas necessidades e os seus objetivos no momento, como escolhe aproveitá-lo?

5. Não se leve tão a sério

Não se critique ou faça pouco das suas falhas ou tonteiras, mas ria-se delas. Ria-se de si. Lembrando-se também de não levar os outros tão a sério. Os outros têm os seus caminhos, os seus quês e porquês. Você tem os seus.

No video partilhei ainda algumas outras dicas essenciais ao bem-estar, como uma alimentação mais saudável de acordo com os seus objetivos, uma gestão adequada dos níveis de stress, dormindo as horas necessárias e sem esquecer da actividade física não só necessária ao bem-estar físico, mas também psíquico.

E se ainda acompanha as minhas palavras: Grata por esta nossa conversa.

Agora o video.

Qual a sua dica preferida? Alguma destas? Outra?

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

3 + four =