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Projecto 31 Dias de Cinema: Matrix

Viva!

Então hoje será o dia #10 do Projecto 31 Dias de cinema.

A sugestão de hoje é de um filme (ou melhor três!) muito conhecido. Pensei muito se haveria ou não de incluir “clássicos” nesta lista de dicas. Não que este seja um clássico no sentido que é normalmente atribuído, mas chamei de clássicos aos filmes que quase toda a gente já viu. Ainda não decidi se incluirei alguns deles se não, mas a este não consigo resistir, pois continua entre as minhas preferências.
Sobre a sugestão de hoje…

Matrix (trilogia)

A trilogia Matrix é daqueles filmes que dificilmente o deixarão indiferente, especialmente o primeiro da saga.

Vários filmes me impressionaram muito até hoje, mas o Matrix foi daqueles que mais mexeram comigo e mais campainhas fizeram ressoar. Um filme que me deixou zonza com a quantidade de informação, para além do sistema inovador de filmagens que usou e se fez ressentir um pouco por todos os filmes que o seguiram, como por exemplo a Missão Impossível II.

Pleno de excelentes efeitos especiais e muito bom para quem gosta de artes marciais, um filme que aborda as capacidades da mente, de uma forma ficcionada, mas perfeitamente aceitável. Pegaram nos mundos de cá e de lá, sem os banalizar e sobre-expor a preconceitos.

O Matrix é um verdadeiro compêndio de filosofias e espiritualidade aplicado à realidade de hoje. Nele encontramos verdades universais contidas no Tao Te King, Bhagavad-Gita, na filosofia dos Vedas e até no Cristianismo. Desde a personagem Neo que representa o Messias, “Um redentor esperado, de nascimento virginal, a traição por parte de um de seus companheiros, a luta contra as forças do mal, a morte e a ressurreição, e finalmente a ascensão aos céus”, até à personagem intemporal do Arquitecto.

Este foi o filme que, para mim, mais mensagens reuniu dos que vi até hoje. Foram tantos os conceitos que ficaram de tudo o que vi que é difícil escolher apenas alguns para abordar aqui…

Uma constante do primeiro filme são as tomadas de consciência, começando com a escolha da pílula (vermelha ou azul) onde Neo tem a oportunidade de tomar consciência da verdadeira realidade, passando pelo treino de luta com Morfeu em que este lhe diz ‘You think that’s air you’re breathing?‘ ou pelo momento em que entra no consultório da Oráculo e a criança lhe diz que o truque para dobrar a colher é ter consciência de que a colher não existe, acabando na derradeira tomada de consciência: o acordar de Neo, a sua ressureição, quando ele compreende verdadeiramente o que é e não é real.

E o que mais me arrepia, literalmente, sempre que vejo esta cena do fim, é a serenidade com que ele enfrenta as adversidades (a luta) naquela realidade em que está inserido. Poderia dizer que ele as enfrenta com a convicção de que tudo é possível naquele “jogo” real em que participa conscientemente, cabendo-lhe a escolha do próximo passo. A consciência é o ponto chave de todo o filme.

O segundo filme – Matrix Reloaded – ilustrou muito bem o que acontece com os “espíritos iluminados” que são ignorados e gozados quando aquilo que eles dizem parece ser impossível e, assim que se prova que aquela verdade existe, tornam-se uma espécie de sarcedotes e seres adorados, com as suas pisadas seguidas por muitos outros e pedidos de bençãos casa adentro. Digo isto pensando tanto no Morfeu, como no Nero.

Morfeu visto como um sacerdote, falando sobre a sua fé e convicção duma forma que me chocou um pouco por parecer pouco humilde e Nero com as filas de “pedintes” (de uma forma ou de outra) atrás de si em qualquer lado onde fosse, idolatrando-o, pedindo por um milagre.

Temos ainda a conversa entre Neo e o Arquitecto, em que o primeiro é comparado a um erro do sistema. A figura do arquitecto é sempre ligada a Deus e não pude de deixar de fazer a mesma comparação, mas a meu ver, quem criou o sistema foi o homem e esta seria mais fielmente uma representação do Homem a quem o poder está a fugir através da compreensão e aumento de consciência do indivíduo enquanto ser espiritual.

No terceiro filme – Matrix Revolutions – temos o desfecho da jornada. Um filme que nos fala de escolhas e destinos.

Aquilo que deste ficou mais profundamente impresso na minha mente foi…

  • o livre arbítrio – apesar da vontade do arquitecto, cada um tem as suas escolhas;
  • o conceito de karma visto pelos dois mundos – designando a lei das consequências ou apenas uma palavra com uma conotação;
  • a manifestação – poder da mente sobre o mundo físico;
  • os opostos crente e não-crente – Neo, o que não acredita em coincidências e sim que tudo tem um propósito, aquele que vê para além dos olhos físicos, e Smith, o não-crente que vê os propósitos humanos como meras justificativas para as suas vidas limitadas;
  • o equilíbrio do cosmos – que nos leva mais uma vez à lei das consequências e aos opostos;
  • os campos de energia quando procuramos ver mais além;
  • a imagem mental e, por consequência (?), energética que temos de nós mesmos que mostra a nossa verdadeira essência…

O Matrix é um filme muito rico em analogias, cheio de verdades meio escondidas, meio reveladas, aplicadas ao nosso conceito de vida, aplicadas aos conceitos que os jovens desta sociedade entendem e compreendem indubitavelmente melhor do que os escritos iniciáticos de uma qualquer filosofia.

Mesmo não sendo uma história nova, mesmo podendo ser muito ficcionado com os arrasadores efeitos especiais, é uma trilogia brilhante e, na minha opinião, muito bem produzida. Uma perfeita analogia ao mundo em que vivemos.

Ano: 1999 a 2003
Mais info na IMDB
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Trailer (1º) no YouTube

Bónus: The Matrix Revisited (2001) completo

Viu a trilogia? O que achou?

Beijos cinéfilos,

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